Sretan Uskrs! – A Páscoa na Croácia

A Croácia é um País Católico, Católico Romano, diferentemente da Servia que é também um país Católico, porém, Ortodoxo. Este não é o ponto central deste texto e quem sabe em outra oportunidade poderemos nos aprofundar mais neste assunto. O importante é saber que a influência da Igreja Católica é muito forte no país, é uma das marcas características que diferenciam estes dois povos que convivem na região dos Balcãs. Outra curiosidade é que quando a Croácia entrou em processo de independência que gerou a longa e dura guerra dos anos noventa, o Vaticano foi o primeiro estado a reconhecer a Croácia como estado soberano.

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“Existe também diferença entre as datas em que as Igrejas Católico-Romana e as Igrejas Ortodoxas celebram a Páscoa. O cálculo é baseado, neste caso, em critérios da astronomia e, não é, como muitos pensam, uma questão simplesmente religiosa.
Desde os primeiros anos do Cristianismo este assunto foi motivo de divergências, de pesquisa e estudos. No ano 325 (a.D.), o Concílio de Nicéia, convocado pelo Imperador Constantino, resolveu, por unanimidade, que a Páscoa fosse comemorada por todos os cristãos no mesmo dia. As resoluções deste Concílio determinaram que a data da Páscoa fosse comemorada sempre no Domingo seguinte à lua cheia do equinócio da primavera, isto é, após o dia 21 de março e, portanto, sempre depois da Páscoa Judaica.
O equinócio é a época em que o dia e a noite tem a mesma duração em todos os países do mundo. O Patriarca de Alexandria foi incumbido, pelo referido Concílio, a preparar um calendário das Páscoas futuras e divulgá-lo para todas as Igrejas Cristãs do mundo, sempre após a festa da Epifania.
Mesmo após a separação de Roma da Pentarquia Ortodoxa, continuou a Igreja do Ocidente a celebrar a Páscoa conforme o Concilio de Nicéia determinava. A unificação das datas seguiu seu curso normal até 1582 (a.D.), quando a Igreja Romana adotou o calendário Gregoriano, elaborado pelo Papa Gregório XIII, que teria constatado “erros” no ano solar, adiantando-o em 13 dias. A Igreja Ortodoxa não aceitou a nova data, pois estava em desacordo com o que fora estabelecido no Concílio de Nicéia. A partir daí, a Páscoa Ortodoxa e Latina (Católico-romana) passaram a ter datas diferentes, coincidindo apenas de 4 em 4 anos.”(Trecho extraído de http://www.ecclesia.com.br/ )
O Brasil é o maior país Católico Romano do mundo, então celebramos a Páscoa, o Natal e outras festividades cristãs nas mesmas datas que a Croácia.

Eu já morei em Londres, Sidney, Treviso e Barcelona (Além de Porto Alegre, minha cidade natal), a grande diferença entre essas experiências que tive é que durante o tempo que morei nestes outros lugares fora do brasil, eu vivia sozinho ou com amigos estrangeiros e nunca havia tido a oportunidade de realmente sentir como é a Páscoa entre as pessoas locais, já agora a experiencia é bem mais interessante pois tenho o privilégio de dividir este momento com os familiares da Ana Maria, minha namorada.
A principal tradição, e a mais importante ao meu ver, é a mesma tanto na Croácia quanto no Brasil, a data é um momento especial para se reunir com a família e celebrar ressurreição de Jesus ocorrida três dias depois da sua crucificação. Acredito que até mesmo as pessoas menos religiosas apreciem esta data pois ela nos leva a aproximarmos das pessoas que amamos e que muitas vezes acabamos não vendo com tanta frequência pelas mais diversas razões. A sexta-feira santa por aqui segue as mesmas regras do Brasil, é um dia no qual o único tipo de carne que se permite consumir é o peixe. Uma diferença é que os croatas tendem a carregar este costume durante o ano inteiro, na Croácia sexta-feira é dia de peixe, inclusive nos “buffets” das universidades.
As celebrações pelo país começam no domingo anterior ao Domingo de Páscoa, conhecido também como Domingo de Ramos. Durante a Semana Santa é possível testemunhar muitas procissões ao longo das cidades e vilarejos do país. No Domingo de Ramos as pessoas distribuem pelas ruas ramos de oliveira ou alecrim, os ramos são decorados com fitas, flores, tecido em grinaldas ou cruzes. Eles são levados à igreja para serem abençoados e depois da bênção são penduradas em torno da casa como proteção contra a má sorte e os maus espíritos.
O café da manhã e almoço durante o final de semana inclui alguns itens que para mim são bastante curiosos, talvez eles estejam relacionados aos alimentos disponíveis na estação, mas de qualquer forma foi algo que eu achei bem diferente na primeira Páscoa que passei aqui e ainda não me acostumei, os alimentos de Páscoa são tradicionalmente presunto ou cordeiro assado com ovos, rabanete, cebolinha e raiz forte e um pão similar a um “panetonne”. Para mim que tenho tantas boas lembranças de chocolates e mais chocolates durante a Páscoa, acho que comer cebolinha, rabanete e raiz-forte nunca se tornará algo totalmente normal…

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Os ovos também fazem parte da celebração, no entanto, a presença dos ovos de chocolate é significativamente menor do que no Brasil, é algo relativamente novo por aqui, uma cultura importada. Por aqui a antiga tradição é tingir ovos com repolho roxo, cebola, beterraba e outros alimentos ricos em pigmentos naturais. Estes ovos coloridos são chamados por aqui de “Pisanice”. Também é comum que os ovos sejam pintados com tinta e os desenhos variam de acordo com cada região, os ovos depois são trocados entre amigos e familiares. As crianças se divertem competindo qual ovo será campeão em um jogo chamado kockanje or tucanje , onde os ovos se chocam e o ovo que sair intacto, ganha.

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Easter-Sunday-in-Croatia1Espero que com esse pequeno texto eu tenha conseguido passar um pouquinho da experiência que é celebrar a Páscoa por aqui. Um Abraço à todos!

Viagem pela Ístria (pt 3 – Explorando a região entre Rovinj e Pula)

Acordamos no sábado logo pela manhã para aproveitarmos a cidade de Rovinj. O dia estava ensolarado e a brisa do vento fria. Saímos de casa em busca de ingredientes locais para nosso café da manhã, então nos dirigimos diretamente ao mercado público local. Normalmente na Croácia, as feiras de rua e mercado públicos são locais que oferecem uma variedades de produtos locais, ingredientes orgânicos e caseiros trazidos pelo povoado dos vilarejos locais. São lugares imperdiveis para visitar ao fazer turismo na Croácia.
O mercado de Rovinj fora da alta temporada não estava muito movimentado, ainda assim, havia uma seleção de frutas, queijos, azeites, trufas, peixes, entre outras coisas. A senhora nos ofereceu para provarmos algumas de suas especialidades com frutas e todas as coisas que ela nos ofereceu tinham um sabor sensacional.
As exóticas e saborosas trufas são utilizadas com os mais diversos alimentos como azeites, queijos e patês, que podem ser adquiridos no local. É possível comprar trufas negras com cerca de 120 Kunas ( +- R$60 ). O sabor da especiaria realmente marcou nossa passagem pela região e a partir de então é impossível não conectar as duas coisas.
Assim que encontramos os ingredientes que buscávamos para nosso café da manhã : pão, azeite de oliva, queijo de ovelha, presunto cru e tomates e aproveitamos que a cidade estava calma para encontrar um lugarzinho no sol com uma bela vista para começar o dia com um pequeno picnic.

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Visitamos a igreja no topo do morro, visitamos alguns ateliers de artistas que produzem desde telas, esculturas até souvenires para turistas com preços justos. Encontramos alguns belos souvenires feitos artesanalmente por estes artistas com preços justos, muito coloridos, alegres e com paisagens relacionadas a cultura local.

Ao passear pela cidade encontramos uma passeata de protesto contra a exploração de petróleo no Mar Adriático, assunto polêmico no país e até mesmo em outros países da região. Tomamos uma xicará de café com leite à beira da marina e continuamos a caminhar um pouco mais em meio as pequenas ruas, encontrando diversos cantinhos e pequenas escadarias que levavam até terraços de cafés a beira do mar que nesta época ainda se encontram fechados, mas que nos permitiram aproveitar a agradável temperatura. O sol continuava a brilhar e com a caminhada decidimos parar para tomar uma cerveja em um dos cafés da cidade, nosso plano era experimentar a cerveja artesanal San Servolo. A cerveja local é oferecida em três tipos, clara, vermelha e escura. A clara era tudo que precisávamos para nos refrescarmos e continuássemos a explorar um pouco mais a cidade.

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Cerca de meio-dia decidimos visitar uma vinícola para comprarmos vinho para a noite e assim que cumprimos nosso objetivo, seguimos de viagem até Pula. No caminho à Pula, paramos em diversos vilarejos e pequenas cidades. Passamos por mares de parreiras e oliveiras, e visitamos antigas pequenas cidades medievais muito bem preservadas, encontramos monumentos de outras épocas, muitos deles, homenagens aos soldados comunistas que lutaram pela liberdade da região durante os período da segunda guerra mundial, encontramos locais onde pessoas famosas nasceram e aprendemos um pouco sobre suas histórias.

A arquitetura na Croácia é algo que me fascina constantemente, mesmo quando passeamos por pequenas cidades não turísticas, onde os belos prédios e casas não estão bem preservados é possível “viajar a outras épocas”. Entre os locais visitados encontramos uma cidade onde muitas paredes estavam grafitadas com belas pinturas e diferentes técnicas desde desenhos mais clássicos com pincel até modernos grafites com spray e muitas cores vibrantes. O contraste das antigas ruas com as belas pinturas tornava aquele lugar único, ainda que parecesse totalmente despreparado para receber turista. Imagino que isso se deve ao fato que existem muitas belas cidades na região que já são voltadas para isso, talvez essa, ainda não tenha percebido o quão interessante potencial tem ou talvez os morados locais simplesmente não intenção de torná-la turística, a “regra” na Croácia é que basicamente todas as cidades são preparadas para o turismo.
Chegamos à Pula no final da tarde com temperaturas já mais baixas e começamos a explorar a cidade. Pula é de certa forma menos aconchegante que Rovinj e Porec, mas ainda assim é um belo local para visitar. A Arena, A Zlatna Vrata (Porta Dourada), o Fórum Romano e outros monumentos espalhados pela cidade são muito bonitos, e o porto da cidade é iluminado durante a noite com um show de luzes. A cidade é bem maior que Rovinj e já tem mais cara de cidade, por essa razão, também tem uma oferta maior de estabelecimentos funcionando o ano todo. Ficamos explorando a cidade por cerca de 2,5h e voltamos para Rovinj. Chegando em Rovinj preparamos nosso jantar tomamos um pouco de vinho e fomos dormir para descansarmos, pois no outro dia ainda visitaríamos muitos outros lugares.

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Continua…

Viagem pela Ístria ( Pt2 – Primeiro dia)

 

Seguimos nossa viagem e fomos até chegar à famosa cidade medieval Motovun.  A cidade estava vazia, quase irreconhecível se comparada aos meses da alta temporada, ainda assim existiam algumas opções para almoçar, tomar um café ou hospedar-se abertas no local. A cidade encontra-se no alto de um morro e durante os meses de verão recebe um dos mais populares festivais de filme independentes da Croácia.

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Um dos principais ingredientes da culinária local são suas trufas negras e brancas. As trufas são muito populares por toda Ístria na verdade, seus bosques são um dos poucos lugares do mundo onde podem ser encontradas. A coleta da especiaria é feita com ajuda de cães e porcos de caça. A maior trufa do mundo segundo o Guiness Book foi encontrada na região pesando mais de 1,3kg.  mot2IMAG3429

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O dia já estava acabando e seguimos em direção a Porec para conhecer a famosa igreja do local, chegamos em Porec já no final da tarde e tivemos o privilegio de participar de uma missa na famosa igreja, não registramos nenhuma foto do interior da igreja em respeito ao culto. A cidade de Porec é muito linda e muito maior do que eu imaginava, caminhos pelas ruas durante e calçadão e logo tivemos que ir pois ainda tínhamos que chegar a nossa pousada em Rovinj,  cidade que nos serviu de base durante nosso passeio. Continua…

Porec

 

 

Viagem pela Ístria (Pt 1 – Pegando a estrada)

Nossa viagem teve duração de três dias e espero neste texto conseguir contar para vocês um pouco sobre ela. Ana Maria, minha namorada, e eu havíamos planejado nossa viagem durante a semana, estávamos muito felizes em viajar um pouco, este ano desde que voltamos do Brasil ainda não tínhamos saído para fazer turismo pela Croácia e já estávamos morrendo de saudades.

Ainda na quinta-feira a noite não tínhamos certeza se viajaríamos, as noticias sobre a intensidade do Bura, vento nordeste que sopra na região com muita força (e não o nossa gata que leva o mesmo nome) estava muito forte, no radio e televisão eram constantes as noticias como “Bura sopra mais forte do que nunca”, “Bura está virando carros na estrada” etc… Normalmente não ouço muito o vento aqui de dentro de minha casa, mas na quinta-feira realmente a coisa parecia estar feia.

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Acordamos sexta-feira as 6am para tomarmos um bom café e lermos as noticias sobre o que enfrentaríamos pela frente. Nosso carro não estava com os pneus de neve instalados, tínhamos, no entanto, correntes no porta-malas guardadas para um caso critico instalarmos nos pneus. No radio as noticias não eram muito positivas, o vento continuava a soprar e partes da estrada principal estavam fechadas e o transito estava sendo deslocado para estradas mais antigas e menores nas montanhas onde o vento não oferecia tanto risco.

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A viagem foi tranquila, as estradas croatas são de ótima qualidade e os motoristas parecem dirigir com cautela. Como já esperávamos na região de Gorski Kotar havia MUITA neve por todos os lados, no entanto, o céu estava azul e as estradas totalmente livres de neve, o que nos proporcionou uma viagem com belas e brancas paisagens e fez com que chegássemos ao nosso primeiro destino, o Castelo de Trsat em Rijeka, sem maiores desafios.

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Continua…

 

SPLIT

Ando percendo que Split anda relativamente desvalorizado entre alguns turistas Brasileiros, muitos comentam que leram em algum lugar que “para Split apena uma noite basta”. Entendo que existam muitos publicos com desejos diferentes durante suas viagens, mas sinceramente, Split é uma cidade Incrivel.

Eu vivo em Zagreb, na capital do país, durante o anos anos que tenho vivido aqui vou a Split com freqüencia e nao vejo a hora de voltar de novo para lá. A cidade além da bela arquitetura oferece muitas coisas legais. Existe uma grande oferta de restaurantes com preços acessiveis (existem também aqueles bonitoes para enganar turista, mas fora da alta temporada eles nem funcionam), a feira de rua de Split oferece uma grande variedade de vegetais organicos e comidas tipicas como quejo e presunto cru. O mercado de frutos do mar é incrivel e funciona diariamente pelas manhãs.

É possível encontrar cafés com jazz no final de tarde, belas terraças e vida noturna até mesmo durante a temporada baixa. A cidade oferece praias, é possivel explorar o parque no morro Marjian que oferece uma bela vista da cidade. Passar o dia em Hvar e voltar? sem problemas, o ferry oferece um belo passeio pelo mar é possível sair pela manhã e voltar durante o por do sol. Trogir se encontra a 28km. Talvez eu seja suspeito, mas sinceramente, acho que é possível aproveitar Split por muitos dias.