Vinhos Croatas – Parte 1 – A história do vinho.

Os vinhos croatas tem uma longe história que data desde os tempos dos antigos colonizadores gregos na região da Dalmácia nas ilhas de Vis, Hvar e Korčula há 2.500 anos. Assim como em outros antigos produtores de vinhos ao redor do mundo, alguns tipos de uvas foram cultivados ao longo do tempo e ainda sobrevivem na região. Hoje em dia as maiores vinícolas croatas utilizam métodos modernos como em outros países europeus de produção tradicional de vinhos, como França, Itália, Portugal e Espanha.

Somente na Croácia existem cerca de 300 localidades de origem para os vinhos locais. A grande maioria dos vinhos produzidos na Croácia são Vinhos Brancos, ainda assim existe uma grande quantidade de Vinhos Tintos produzidos e também uma pequena quantidade de Rosés.

O vinho é uma bebida muito popular na Croácia e muitas vezes acompanha as refeições do povo local. O vinho por aqui é bebido muitas vezes misturado com agua mineral com gás, assim como na Espanha, principalmente durante os dias quentes de verão. A mistura de vinho branco com agua mineral com gás se chama “Gemišt” enquanto a mistura com vinho tinto se chama “Bevanda”, na Espanha a mistura é conhecida como “tinto de verano”.

Como no resto da Europa Central e Sudeste Europeu, a ovinocultura existe muito antes da expansão do Império Romano. Alguns estudos comprovam que a produção de vinhos era praticada na Dalmácia na Era do Bronze e do Aço pelos colonizadores Ilírios. No entanto, conforme mencionado antes, a produção de vinho na Croácia é atribuída a colonizadores gregos no século 5AC.

Durante o Império Romano a produção de vinho cresceu e se tornou mais organizada. O vinho croata passou a ser exportado para outras partes do Império, ainda hoje são encontrados artefatos desta época como ânforas, principalmente em navios naufragados durante este período.
Quando os croatas começaram a colonizar a região, eles aprenderam com seus antecessores o processo de fabricação de vinhos e a produção continuou a crescer. Durante a Idade Média, existia uma função na corte que se chamava algo como “Procurador Real dos Vinhos” e sua função era relacionada à produção e aquisição de vinho. Muitas cidades passaram a obedecer a certos padrões na produção do produto, por exemplo, na Ilha de Korčula em 1214 um estatuto foi promulgado protegendo estritamente os seus vinhedos.
No século 15DC com a chegada do Império Otomano no Sudeste Europeu, a produção de qualquer tipo de álcool foi proibida devido a uma lei do novo Estado Islâmico vigente. Felizmente o Império Otomano tolerava o Cristianismo e graças à tradição da Igreja Católica envolvendo o vinho proporcionou que os monques e padres continuassem a produzir vinhos para seus rituais, assim salvando uma parcela importante da ovinocultura da região.

No Século 18DC a Croácia passou a ser dominada pelo Império Austríaco dos Habsburgos e a produção de vinho voltou a expandir-se durante os próximos séculos. No ano de 1874 a produção de vinhos sofreu uma grande queda devido à proliferação de uma peste (phylloxera) que começou a aparecer nos vinhedos Europeus. Os países mais afetados inicialmente foram França e Alemanha e durante algum tempos os vinhedos croatas permaneceram intactos e a exportação do produto cresceu muito para suprir a demanda gerada pela peste em outros países. Alguns produtores francês até vieram para a Croácia plantar novos vinhedos em regiões consideradas seguras da peste, no entanto no inicio do séc. 20DC, os vinhedos croatas também sucumbiram a esta peste, levando milhares de vinhedos a total destruição, colapso da economia de diversas regiões e obrigando famílias de produtores de vinhos a migrarem para o novo mundo para que pudesse continuar com sua tradição.

Durante o comunismo, enquanto a Croácia festa parte da Iuguslavia, a produção de vinho era centrada em grandes cooperativas e a propriedade privada de vinhedos era desencorajada. Quantidade ao invés de qualidade se tornou o foco principal. Durante a guerra de independência da Croácia nos anos 90 uma vez mais muitos vinhedos croatas foram destruídos, no entanto, com a produção de vinho voltando às mãos dos pequenos produtores Croatas, o vinho local se tornou novamente competitivo com os melhores vinhos do mercado mundial.

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